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23 de maio de 2010

Ensaio

"A alucinação proporcionada era fascinante. O som dos passos era a nossa música. E ela estava intensa, rítmica, densa, pesada como um martelo. Poderia ser melhor? Presumo que não.

Dancei, dancei, dancei, dancei e, quando me preparava para dançar novamente, um enfarto fulminante levou-me. Já era manhã, o Sol estava relativamente alto. Os alvos faziam o caminho para o trabalho, alvejando-nos enquanto tentavam desviar dos velhos loucos, como diziam. Era mentira. Algumas damas, muitas ainda estudantes, ainda estavam por lá: exímias bailarinas, exímias ninfetas. A massa, que se reunira no alto da noite, em verdade já havia ido. Mas não nós. Digo: mas não eles. Afinal morri antes de ver o término do baile."

De Felipe Franchesco, expondo seu assaz pensamento crítico e casmurro no Semmente. Bem vindo à turma.

16 de maio de 2010

Ensaio

A boneca de pano

Apenas um brinquedo bonito, que chama atenção,
Não tem coração, pode colocá-la onde quiser,
Pode falar o que quiser.
Pode jogá-la no lixo e depois pega-la,
Ela permanecerá te esperando e sorrindo.
Pode deixá-la na chuva, no sol, no vento,
Recolhe deixa-a no chão. Se estiver molhada ou quente
O vento a fará voltar a sua temperatura normal.
Não precisa vê-la ou tocá-la, não tem significado isso para ela.
Pode chamá-la de princesa, de bruxa de escroto,
Ela não saberá a diferença,
E você se sentirá melhor por dizer o que senti.
Pode esquecê-la por um tempo,
Ela não se lembrará de você,
É apenas uma boneca de pano
Não existem veias, apenas costuras,
Não existe coração, é apenas pano,
Não existe memória, são linhas.

A boneca começa a ficar velha, feia, com furos, rasgos, manchas.
Não precisa costurá-la, remendá-la ou eliminar as suas manchas,
É apenas um brinquedo que pode ser substituído por tantos outros
Maravilhosos e interessantes que existem no mundo.
A boneca está velha não serve mais para brincar,
Seu destino é o lixo!

  - Mas que pena jogar uma boneca que resistiu certo tempo!

Deixe-a na caixa de brinquedos, serve para recordações,
Serve para puxar os panos de dentro de sua cabeça, do seu corpo.
Serve para brincar um dia, quem sabe?
De repente a boneca sumiu.
Ah! Era apenas um brinquedo velho alguém a jogou no lixo,
Não faz falta, era... Descartável,
A brincadeira continua...

28 de fevereiro de 2010

Ensaio

" Não é justo que podemos sentar e assistir o noticiário da noite no conforto de nossas salas, e sentir pena daqueles que sofrem por causa de uma tempestade, um terremoto ou uma enchente, e simplesmente sentir pena dessas pessoas, e então mudamos de canal pra assistir uma novela. É justo passar por um sem-teto e não lhe darmos nada com a desculpa de que ele irá gastar tudo com bebida ou cigarros ou manda-lo levantar e arrumar um emprego? Quem somos nós para julgar o alcoólatra ou a prostituta, o viciado ou o criminoso como se fôssemos melhores que eles?"

Fragmento do ensaio: A justiça é cega...mas a injustiça não, da Rosinéia Diana Balbino, nossa amiga Néia, que está reunindo suas idéias no blog:  Néia - Escafandro e Borboleta.

24 de janeiro de 2010

Ensaio

O estranho
É morar numa casa desconhecida, num endereço zero,
O estranho é querer juntar a casa ao morador,
Casa bem construída, com pilares de sustentação,
Morador viajante que esquece o próprio endereço,
Viagens longas idas e voltas. Mas nunca esquece a casa.
A dor o faz lembrar de sua sensível cápsula.
Andréia Fontini

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